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NATAL: CRISTO OU NOEL?

 
Sim, é Natal! Os enfeites luminosos, as árvores espalhadas pela cidade, as fachadas de casas e prédios iluminadas, os presentes simbólicos e as guirlandas nas portas, anunciam a chegada de um tempo que mexe com as emoções de todas as pessoas. Vemos também os presépios e, em destaque, a figura do pequeno bebê Jesus rodeado de Maria e José, os sábios do oriente e alguns singelos animais. Mas, com a chegada do Natal também vemos a esperada figura do Papai Noel. E é aí que começa a questão. Para muitos, como eu, o velho Noel é personagem simpático neste cenário. Para outros, entra em cena um antagonista perigoso do Natal e, sobretudo do Cristo. Para estes, Noel é um usurpador, um vilão, um velho intrometido e espertalhão que precisa ser combatido.
 Aos meus olhos, em que pesem outros argumentos, o Noel representa, ou deveria representar, não menos que o sentimento de todo cristão verdadeiro diante da linda mensagem do Cristo que veio como presente de Deus aos homens. Deve representar a generosidade aprendida com o Senhor Jesus: o desejo de distribuir felicidade, de visitar lares que aguardam um pequeno presente, de alegrar corações que esperam a realização de um sonho pequenino. Com Cristo aprendemos a ser portadores de um simples presente àquele que aguarda a resposta de uma oração em forma de cartas ou cartinhas que pedem, por vezes um brinquedinho usado ou ainda uma refeição que tenha, nem que seja em apenas um dia do ano, um pedaço do frango mais barato do mercado. Ah, sim! Para sermos bem atuais, Noel me representa porque creio no Cristo que veio para levar a todos o melhor presente – o perdão e a graça de Deus aos homens – e assim o faz por meio daqueles que, tendo aprendido com Ele, se empenham em espalhar o amor, ao invés do ódio ou da rabugice; que se dedicam a compartilhar o muito ou o pouco que possuem, ao invés de juntarem para si mesmos e satisfazerem-se sozinhos; que se fazem respostas de Deus às cartas enviadas em forma de oração – pedindo um brinquedinho usado, um pão, um abraço sem preconceito, a acolhida como a um irmão, uma resposta branda e cheia de compreensão ao que pensa diferente, ou ainda, a simples presença que cura.
 Como cristão, no Natal e ao longo do ano, tenho de ser como o velho Noel: generoso ao partilhar, bondoso sem olhar o endereço, cuidadoso com as crianças – muitas delas tão sofridas – solidário com pais que pouco ou nada podem dar e fazer em favor dos sonhos tão pequeninos de seus filhos, mas também, gracioso em distribuir sorrisos sinceros, especialmente aos que andam abatidos e sem ajuda para sorrir. E devo ser assim, não por fazer de Noel o meu “ídolo” ou um substituto do Salvador. Não mesmo! Mas porque o velho Noel expressa, para mim, apenas um pouco do tanto que aprendemos do nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo. 
 Ao invés de perder tempo combatendo Noel e tornando-o vilão para as crianças, que tal mostrar para elas e aos adultos que ele pode ser visto apenas como um exemplo daquilo que se espera de um verdadeiro cristão que ama a Jesus Cristo: Ser um presente para alguém, levar presentes para muitos, fazer-se presente, mesmo com as mãos vazias, mas com um gostoso sorriso – como o do Noel, ou o melhor que você possa dar – alegrando, assim, ao menos um triste coração com a doce mensagem de Deus no Natal: “O Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.” (João 1.14). Seja você mesmo o melhor presente deste Natal, levando para muitos o amor e a graça que Cristo nos ensinou. 

PASTOR ROBERTO SANTOS

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