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Mulheres nos dias de hoje: O desafio da multifacetação.

Há períodos na vida de uma mulher que parecem ser absurdamente mais complicados que outros. Em tais ocasiões, muitas delas se sentem estressadas, desanimadas; chegam a acreditar que “tudo está despencando em seus ombros”. Existem muitas tarefas, obrigações a serem compridas, e o tempo se mostra insuficiente para realizá-las de modo adequado: é preciso preparar e organizar a alimentação da família, levar os filhos à escola, cuidar das roupas da família, enfrentar a falta de polidez do chefe, cuidar do relacionamento com o marido, enfim, há uma série de exigências. Quase sempre há cobrança, esforço, desgaste (físico e mental) demais, e pouca ou nenhuma valorização. Felizmente, grande parte das mulheres está tomando consciência de que é capaz de fazer escolhas em todos os níveis. Aliás, a mulher do século XXI, em geral, vem se permitindo sua “própria descoberta” em vários âmbitos; aos poucos, enxerga-se como alguém com aptidão para desempenhar (e bem) diversos papéis na sociedade. Todavia, em razão disso ainda há quem pense que as mulheres são robôs: não se cansam e podem estar em atividade 24 horas todos os dias. Obviamente tal estado de coisas leva qualquer pessoa à irritação, ao esgotamento, ao desejo de abandonar família, profissão, estudos. É necessário, que se busque um equilíbrio, que exista discernimento, a fim de que seja possível uma “escala hierárquica” de compromissos.

A mulher e a conversão de Cristo

Primeiramente a dignidade é uma marca da identidade que deve ser manifestada por meio das atitudes e do cuidado com as palavras. Isso deve ser observado diariamente no trato com outras pessoas. A fim de elucidar esse aspecto, temos a história de Raabe, (Josué 2). De acordo com o relato bíblico, Raabe era uma prostituta, uma mulher sem reputação, sem crédito. No entanto, depois que se tornou alguém temente a Deus, teve sua vida transformada. Isso significa que, por meio de sua fé, seus pecados foram perdoados e sua família foi salva.

É preciso compreender que, para fazer a diferença na condição cristã, há um preço a ser pago. É imprescindível seguir as normas pré-estabelecidas por Deus, entender a posição de obediência em que nos devemos colocar. Isso pressupõe, nos diversos aspectos da vida, renúncia, sinceridade, transparência. De qualquer modo, o fato de conhecer a Cristo modifica nossa maneira de agir em todas as áreas de nossa vida. Passamos a cultivar uma atitude mental positiva em relação aos acontecimentos. Muitas vezes nem precisamos de palavras para nos expressar, pois nossa linguagem corporal é capaz de exprimir com precisão aquilo que sentimos. O encontro pessoal com Jesus é um verdadeiro divisor de águas: antes disso, caminhamos a esmo, embora muitas vezes sem o saber; depois disso, mudamos nossa vida de modo instantâneo, buscando coerência nas atitudes. A história bíblica da mulher samaritana, (João 4.6-18), é um exemplo interessante dessa mudança operada na vida das pessoas depois do encontro com Deus. Essa mulher vivia uma vida impura, num relacionamento conjugal não assumido e um dia se deparou com Jesus. Percebeu, depois de alguns instantes de conversa, que ele era um verdadeiro profeta. Assim, uma transformação imediata ocorreu no coração desta samaritana, bem como uma confiança inexplicável e um desejo de fazer parte de uma sociedade sem discriminação. Cabe explicar que, naquela época, por razões culturais, judeus e samaritanos não se associavam uns com os outros e era considerado impróprio para um rabino conversar com uma mulher em público; a consideração de Cristo por essa mulher era, dessa forma, revolucionária. Muitos passaram a acreditar em Jesus por causa desse testemunho.

Desde a entrada do pecado no mundo, cada um de nós enfrenta uma verdadeira batalha. As dificuldades de hoje são praticamente as mesmas daquelas contra as quais lutavam os primeiros seres humanos, séculos atrás. A mulher de hoje, em particular, nas diversas sociedades, ainda precisa de muito empenho para zelar pela sua identidade na condição de esposa, de mãe, de profissional. A mulher cristã, sem dúvida, precisa de um verdadeiro “arsenal” de conhecimento, a fim de lidar com as situações cotidianas não com ingenuidade, mas com sabedoria. Se, como mulheres, sobretudo como cristãs, pretendemos nos tornar fonte de inspiração, ou seja, referência para gerações futuras, temos de buscar conhecimento, temos de aprender (e apreender) sempre e muito as lições da palavra de Deus, sabendo que “fazemos a diferença” quando nossas atitudes são moldadas pelo Espírito Santo. Só assim é possível transformar um aprendizado num ensinamento.

Extraído (texto compilado) do II Simpósio Internacional da ABHR

GIOVANNI DIODATO NETO

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